MORDIDA
Suas mãos eram brancas, tão brancas quanto a pele do seu rosto.
E houve um momento de paixão. Um beijo no rosto, e do outro lado, o beijo nos lábios.
Ele parecia agora um pote de perfume sem cor, só a fragrância com cheiro de infância no campo, cheiro de blues.
Seus olhos, plásticos, viam , naquele momento, além da carne que lhe cobria os ossos, a alma atrás da armadura.
Segurou seus ombros largos. A sua frente, um homem de quase dois metros de altura.
E na paixão do beijo, uma língua procura a outra, para ver se o cheiro de encaixa, se a pele, se o gosto.
Engoliram a seco o passado.
As bocas se separaram, as mãos, agarradas as roupas agiam sem pensar e iam despindo-lhes naquele inverno com sabor de primavera com os dedos gélidos e trêmulos que arrepiavam …
Desconhecidos íntimos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário