quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Maçã Verde - parte 4 (final)

A LAGARTA E O CAROÇO

Se tornaram um remendo de estrutura plástica frágil sem perceber.
Um restinho de amor? Nada.
Tudo consumado e consumido.
Com a mão pequena de penugem clara carregava naquele tapa além do medo, os punhos cerrados de duas vidas inteiras.
Ardeu, e ainda arde. A ferida estava fresca quando ele agarrou seus pulsos, queria evitar um ataque. A raiva se fez lágrimas, as pernas finas dela fizeram-se bambas. Um beijo no rosto, e na testa, o beijo nos lábios. Frígido.
“ - Deixei voce chegar perto, perto demais de mim. Beijou minhas cicatrizes e por um momento esqueci o que as tinham causado. Me amou e me deixou. Me perdi em voce, ainda sintou meus dedos desenhando na sua pele. Mas o beijo se desgastou, não tem o mesmo gosto. Agridoce. Na madrugada, desafinado, distorcido, sintonizávamos como um inteiro. Tambores de santeria éramos nós. Nos saciamos com fogo, e assopramos a ultima chama! Me encontrei em voce, e agora fujo de mim, não gostei do que vi” 
Dizia um guardanapo grudado á geladeira com um imã em formato de cajú. E antes que o sol aparecesse, se foi, evitando despedidas, - as odiava. E ela deitada na cama via vagamente sua silhueta se desmanchando com os primeiros raios da manhã. Um último olhar de adeus regado de pena e carinho de desconhecidos certa vez íntimos.

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