domingo, 14 de outubro de 2012

Fio de Nylon

Quero uma dose letal de qualquer coisa. Quero matar Apolo e desafiar a decadência racionalista ocidental.
Quero uma lésbica, um aidético, um homossexual, alguém sem escrúpulos, que nasceu numa terra tóxica em meio ao lixo, alguém que tenha abortado aos 14 anos, que tenha doenças degenerativas, que tenha o coração partido, que tenha batido na cara da própria mãe.
Quero alguém que já tenha acordado em cima do próprio vômito numa cela de delegacia, alguém que tenha sofrido abuso sexual, que tenha sido espancado por ser quem é, alguém que não tenha medo de falar sobre sexo. Uma mulher negra bulímica, alguém com dentes podres e tortos que se travestia e usava drogas, alguém que já tentou se matar e que esteja vivo.
Quero Dionísio. 
Quero a arte na carne e na pele.
Quero o anticristo.
Quero um monstro marinho saindo do meu peito.
Quero pintar o futuro de preto.
Quero cicatrizes.
Quero destruir algo bonito.
Quero um copo cheio do veneno mais forte.
Quero lamber a dançar valsa nos salões do Inferno.

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