domingo, 14 de outubro de 2012

Fio de Nylon

Quero uma dose letal de qualquer coisa. Quero matar Apolo e desafiar a decadência racionalista ocidental.
Quero uma lésbica, um aidético, um homossexual, alguém sem escrúpulos, que nasceu numa terra tóxica em meio ao lixo, alguém que tenha abortado aos 14 anos, que tenha doenças degenerativas, que tenha o coração partido, que tenha batido na cara da própria mãe.
Quero alguém que já tenha acordado em cima do próprio vômito numa cela de delegacia, alguém que tenha sofrido abuso sexual, que tenha sido espancado por ser quem é, alguém que não tenha medo de falar sobre sexo. Uma mulher negra bulímica, alguém com dentes podres e tortos que se travestia e usava drogas, alguém que já tentou se matar e que esteja vivo.
Quero Dionísio. 
Quero a arte na carne e na pele.
Quero o anticristo.
Quero um monstro marinho saindo do meu peito.
Quero pintar o futuro de preto.
Quero cicatrizes.
Quero destruir algo bonito.
Quero um copo cheio do veneno mais forte.
Quero lamber a dançar valsa nos salões do Inferno.

Quero usar um sonho bom enquanto ele continua morno.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012
































Três horas da tarde, penso - E eu ainda estou dormindo.
Me deixa deitar e rolar na minha própria decadência.
Me deliciar nas grades da minha própria moral.
Deixa eu ...


Lembrete:
"ORGANIZE SEUS SONHOS!

3bjs U.U"
Eu queria ver algo que me decepcionasse.
Que ele me decepcionasse.
Que cada um deles, todos eles me decepcionasse.
Pra eu chorar, fazer escândalo, espernear como uma criança.
Queria passar á odiá-lo e não mais á mim. Por não ser o suficiente pra nós dois.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Sussurrava entre os cabelos da nuca enquanto contornava sua pele com uma bituca de cigarro entre os dedos. As peles mal se tocavam, mas se entendiam, se sentiam, arrepiavam.
Uma tragada e o cigarro acabou-se por si só, não mais se envenenaria com algo tão inverossímil.
Sua nova droga, do seu tamanho, mas pequena.
E ele um cafetão,
cuzão,
maconheiro,
bandido,
poeta,
alma gêmea que de tudo entende e o que se mexe e não se fode, não tem vida - ele dizia.
E o resto a gente enrola em papel seda e fuma.



Deuses ... cristãos, pagãos, umbandistas, macumbeiros. Desencarnados, anjos, demônios, diabos, superem suas diferenças e me façam acreditar que a vida transcende á ISSO!
Me façam desacreditar que a vida é viver e não sonhar.
Que é só seguir em frente como uma marionete sem vida, sem perspectiva de amanhã, sem porra nenhuma.
Me façam acreditar que a vida é muito mais do que dormir e não sonhar.
Se calar a cada tapa.
Se remoer a cada lágrima
...

Apenas dormir sem sonhar.
Tudo dói.
Corrói.
Nada aquece, tudo queima.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012


Prantos de uma mãe sem filho, que joga as lembranças da cria ao vento do verão que desfaz as mais bonitos dos cachos e derrete o mais frio dos corações. As lágrimas maternas tão salgadas quanto ao de um primogênito ligado á mãe pela tênue linha do alimento. A corrente de sangue onde as lágrimas é que coagulam.
Sangra madre, sangra!

Maçã Verde - parte 4 (final)

A LAGARTA E O CAROÇO

Se tornaram um remendo de estrutura plástica frágil sem perceber.
Um restinho de amor? Nada.
Tudo consumado e consumido.
Com a mão pequena de penugem clara carregava naquele tapa além do medo, os punhos cerrados de duas vidas inteiras.
Ardeu, e ainda arde. A ferida estava fresca quando ele agarrou seus pulsos, queria evitar um ataque. A raiva se fez lágrimas, as pernas finas dela fizeram-se bambas. Um beijo no rosto, e na testa, o beijo nos lábios. Frígido.
“ - Deixei voce chegar perto, perto demais de mim. Beijou minhas cicatrizes e por um momento esqueci o que as tinham causado. Me amou e me deixou. Me perdi em voce, ainda sintou meus dedos desenhando na sua pele. Mas o beijo se desgastou, não tem o mesmo gosto. Agridoce. Na madrugada, desafinado, distorcido, sintonizávamos como um inteiro. Tambores de santeria éramos nós. Nos saciamos com fogo, e assopramos a ultima chama! Me encontrei em voce, e agora fujo de mim, não gostei do que vi” 
Dizia um guardanapo grudado á geladeira com um imã em formato de cajú. E antes que o sol aparecesse, se foi, evitando despedidas, - as odiava. E ela deitada na cama via vagamente sua silhueta se desmanchando com os primeiros raios da manhã. Um último olhar de adeus regado de pena e carinho de desconhecidos certa vez íntimos.

Maçã Verde - parte 3

SUCO


Um livro qualquer de páginas amareladas na mão esquerda. O mais vagabundo dos vinhos na mão direita. E um metro de pernas abraçando-lhe a cintura. 
Numa banheira lavam toda frustração de um passado que não os pertencia. Ele se recostava em um peito que não lhe pertencia, mas era seu por poucos segundos! 
Mais negros que de costume, seus cabelos grudavam, molhados, na pele de outro corpo imerso na água fria, estava quente no começo.
Tragava o último cigarro – ele sempre dizia – esperando que invadisse e aquecesse infinitamente seu corpo cansado.
Respiravam como um.Numa mesma sintonia.
“Era uma vez, uma garota sempre vestida para o inverno, mas o verão foi quente aquele ano.
Numa noite fria, chovia forte a água que caía e se esvaía dentre seus dedos, por todo o seu cabelo e suas bochechas, se acumulavam e embebeciam seus lábios.
Fincara seus pés naquele asfalto frígido.E seus olhos fechados se perdiam e por um momento deixou de carne, e sua alma tornou-se vegetal.Fazia parte da água que caía e do barulho que as gotas faziam nas folhas.Deixou de ser humana, não tinha carne, nem pecado. Trancendeu. Era uma força da natureza
[…]”
 - leu de voz baixa, rasgada, e bêbeda ao pé do ouvido do outro como uma dose letal de qualquer coisa.
Debruçou-se e largou a garrafa de vinho vazia e o livro de páginas amarelas e agora molhadas no chão. Encostou seus lábios nos cabelos dele, que lhe respondia cantando baixo e rouco Wild Charms com os olhos fechados.
Suas peles estavam mais quente que a água.




Maçã Verde - parte 2

A POLPA




As madeiras da casa ecoavam as notas mais rasgadas daquela gretsch verde maçã.
A pele pálida, os cabelos cheios de cachos negros, os olhos fundos de traços fortes, e ele á tocava como se toca uma mulher, seus dedos escorregavam dentre as trastes, parecia lamber suas volúpias, a mão que segurava a palheta e a fazia gemer as notas desafinadas é a mesma que aperta as coxas e se faz trêmula.
Os pés descalços batiam no chão frio, a cabeça balançando, afirmando e o sorriso no final de cada solo;
 - “Porque ela sempre ganha!” - ele dizia.
De pijama preto com os braços nus, mostrava, além da pele branca e fina com veias aparentes que pulsavam além de seus dedos, denunciava arrepios que percorriam todo seu corpo e refletiam sua alma nas notas, seu sexo se fazia presente em cada acorde que fluíam pelas paredes da casa de madeira.

Maçã Verde

 - Uma compilação de situações românticas.


MORDIDA



Suas mãos eram brancas, tão brancas quanto a pele do seu rosto.
E houve um momento de paixão. Um beijo no rosto, e do outro lado, o beijo nos lábios.
Ele parecia agora um pote de perfume sem cor, só a fragrância com cheiro de infância no campo, cheiro de blues.
Seus olhos, plásticos, viam , naquele momento, além da carne que lhe cobria os ossos, a alma atrás da armadura.
Segurou seus ombros largos. A sua frente, um homem de quase dois metros de altura.
E na paixão do beijo, uma língua procura a outra, para ver se o cheiro de encaixa, se a pele, se o gosto.
Engoliram a seco o passado.
As bocas se separaram, as mãos, agarradas as roupas agiam sem pensar e iam despindo-lhes naquele inverno com sabor de primavera com os dedos gélidos e trêmulos que arrepiavam …
Desconhecidos íntimos.
                                                                             


Colcha de retalhos.
Memórias de Velha Louca.
Sintaxe á vontade.
Welcome!