A POLPA
As madeiras da casa ecoavam as notas mais rasgadas daquela gretsch verde maçã.
A pele pálida, os cabelos cheios de cachos negros, os olhos fundos de traços fortes, e ele á tocava como se toca uma mulher, seus dedos escorregavam dentre as trastes, parecia lamber suas volúpias, a mão que segurava a palheta e a fazia gemer as notas desafinadas é a mesma que aperta as coxas e se faz trêmula.
Os pés descalços batiam no chão frio, a cabeça balançando, afirmando e o sorriso no final de cada solo;
- “Porque ela sempre ganha!” - ele dizia.
De pijama preto com os braços nus, mostrava, além da pele branca e fina com veias aparentes que pulsavam além de seus dedos, denunciava arrepios que percorriam todo seu corpo e refletiam sua alma nas notas, seu sexo se fazia presente em cada acorde que fluíam pelas paredes da casa de madeira.
Nenhum comentário:
Postar um comentário